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Manaus/AM: a herança do Ciclo da Borracha

  • Foto do escritor: Leci Rech
    Leci Rech
  • 18 de jan.
  • 4 min de leitura

Manaus é sinônimo de natureza, embora a cidade guarde monumentos que remetem ao Ciclo da Borracha, um período histórico entre o fim do século XIX e início do século XX (1877 e 1910), época de prosperidade da região norte.

Um dos símbolos dessa fase é sem dúvida o Teatro Amazonas. Uma visita obrigatória e que deve ser agendada.


O Teatro Amazonas foi inaugurado em 1896 para trazer a cultura europeia para cá. Ele representava a riqueza e era símbolo de status dos barões da borracha. Com uma arquitetura eclética, o prédio mostra também elementos do estilo neoclássico. Materiais nobres foram importados como o mármore da Itália e o ferro da Inglaterra. A cor rosada atual é a mesma tonalidade original. A capacidade é para 700 pessoas.


Na cúpula, cerâmicas vitrificadas formam um mosaico com 36 mil peças nas  cores da bandeira do Brasil, imitando escamas coloridas.

O material foi importado da Europa, vindo da região Alsácia/França. A construção da cúpula iniciou em 1885 na Bélgica. O teatro foi tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1966.   


Foto: A. Linus Rech
Foto: A. Linus Rech

Diversas lendas urbanas envolvem o Teatro Amazonas como a bailarina misteriosa, o piano que toca sozinho ou ainda o pianista fantasma que toca a 5ª Sinfonia de Beethoven no silencio da noite. Conta-se também as histórias da aparição do ex-governador Eduardo Ribeiro que anda pelos corredores e salões do teatro. Mas nada disso tira o brilho do Teatro Amazonas que segue imponente como testemunha da opulência de um tempo de riquezas da cidade.


Ainda no Largo São Sebastião, junto ao Teatro Amazonas, está a Igreja de São Sebastião, considerada um marco arquitetônico da cidade.

A Igreja também tem sua história ligada ao Ciclo da Borracha. Foi inaugurada em 1888 com apenas uma torre. O material vindo da Europa teria sofrido um naufrágio.



O projeto da igreja é do engenheiro militar, arquiteto Sebastião José Basilio Pyrrho. O estilo eclético do prédio guarda elementos do gótico, neoclássico e renascentistas. É uma das igrejas mais antigas da cidade. Foi tombada em 1988 pelo Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico do Amazonas. Está fechada para restaurações e os sinos foram silenciados.



Palacete Provincial

Na praça Heliodoro Balbi está outro prédio centenário inaugurado em 1875.

Já foi sede do governo e residência presidencial. Também foi Quartel da Polícia Militar e atualmente é um espaço cultural que abriga cinco museus: Pinacoteca do Estado com pinturas e esculturas; museu de arqueologia; da Imagem e Som; de Numismática e Museu Tiradentes com a história da Polícia Militar.


Palácio Rio Negro

Esta é outra joia arquitetônica da cidade de Manaus. Não deixe de ver.  Foi uma luxuosa residência do comerciante alemão Karl Waldemar Scholz durante o Ciclo da Borracha no início do século XX.

Era chamado de Palacete Scholz. Construído em 1903, em estilo eclético, pelo arquiteto italiano Antonio Jannuzzi, levou sete anos para sua conclusão. Com dois andares, o palácio passou a ser sede do governo do Amazonas em 1918, quando foi vendido após a crise da borracha. Mais tarde foi residência de governadores.


Estátuas francesas de ferro guardam a imponente escadaria principal que tem os degraus feitos de encaixe, sem cola e pregos. Tombado em 1980 pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Amazonas, o Palácio Rio Negro é, hoje, um Centro Cultural. Fica na Av. 7 de setembro, 1546 Centro. As visitas são de 2ª a sábado das 9h às 15h. Terças e domingos está fechado.


Relógio Municipal de Manaus

O relógio de torre, próximo ao porto de Manaus, na Av. Eduardo Ribeiro no centro histórico, é outro símbolo da cidade.


Inaugurado em 1929, ele marca o apogeu do Ciclo da Borracha. Em uma base de pedra em estilo neoclássico, o projeto do eng. Coriolano Durand tem na sua torre um relógio com maquinário suíço que foi montado por ourives italianos (Pelosi & Roberti). É Patrimônio Histórico Estadual.




O relógio exibe a inscrição “vulnerant omnes, ultima necat” – frase em latim que reflete a passagem do tempo e a mortalidade. O provérbio latino, muito usado em relógios antigamente, refere-se ao tempo e a nossa trajetória pela vida. A tradução “todas ferem, a última mata” é uma alusão às horas. Vale a pena conhecer.


Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição

Próximo ao relógio municipal, na Praça XV de Novembro está a Igreja Matriz de Manaus. Sua construção iniciou em 1858, um projeto do arquiteto Sebastião José Basílio Pyrrho.

Em estilo neoclássico, a igreja recebeu seis sinos importados da Europa que foram instalados em 1875. Dois anos após foi inaugurada. A sua agenda de visitas foi marcada em 1927 pela Família Imperial Brasileira e pelo Papa João Paulo II em sua primeira visita ao Brasil em 1980.


Mercado Municipal Adolpho Lisboa

O mercado de 1882, é outro marco histórico e arquitetônico que testemunha os tempos áureos do Ciclo da Borracha em Manaus. O prédio tem estrutura de ferro fundido, arquitetura Art Nouveau e foi inspirado em mercados da França. O projeto saiu do escritório de Gustave Eiffel, engenheiro francês que construiu a Torre Eiffel de Paris.



O prédio do mercado municipal de Manaus foi construído com pedra jacaré – uma variedade de quartzo, além do ferro fundido importado de Portugal. Foram usados: argamassa feita de barro e óleo de fígado de baleia. Em 1987 foi tombado pelo IPHAN – Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, além de ser incluído no livro da Belas Artes. 



O mercado fica na Rua dos Barés, 46 – aberto ao público das 6h às 17 horas.


Entre tantas variedades de produtos, destaco o artesanato indígena, os produtos regionais amazônicos, ervas medicinais e cremes e perfumes. O Breu Branco é sensacional.



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Comunidade indígena

Boto cor de rosa.

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