Arquitetura religiosa conta a história de João Pessoa
- Leci Rech
- 18 de mai.
- 6 min de leitura
Centro Cultural São Francisco

O Centro Cultural é um complexo arquitetônico que abriga o Convento de Santo Antônio, o Museu de Arte Sacra e a Igreja de São Francisco, o marco mais importante de João Pessoa.

O Convento de Santo Antônio foi fundado em 1589, quatro anos depois da criação da cidade. Em 1634, é ocupado pelos holandeses até a sua expulsão, quando os franciscanos retornam e iniciam as obras de recuperação. Em 1952, o convento é tombado pelo Patrimônio Histórico e em homenagem aos franciscanos passou a se chamar Centro Cultural São Francisco.

A construção do convento foi uma iniciativa dos frades da Ordem Franciscana. Até 1885, os franciscanos viveram ali. Depois foi tomado pelo império que transformou o local em Escola de Aprendizes Marinheiros e Hospital Militar durante quase dez anos. A partir daí o convento passou a ser casa de formação sacerdotal por 70 anos. Em 1979, o conjunto foi fechado para restauração e reaberto em 1990.

O exterior foi concluído bem mais tarde. Em 1779, a fachada ficou pronta, assim como a torre sineira, o adro (pátio externo descoberto) e o cruzeiro (cruz monumental) em frente ao complexo, localizado na Ladeira São Francisco, s/n Centro.
Casarão dos Azulejos

Outra joia que vale ser vista é o Casarão dos Azulejos. Construída no século XVIII foi residência do comendador Antônio Santos Coelho, grande exportador de açúcar, por isso considerado um símbolo de riqueza. Fica na Rua Conselheiro Henrique, 159 no centro.

O casarão, também chamado de Sobrado dos Azulejos, tem revestimento externo com azulejos portugueses em tons azuis. Foram trazidos da cidade do Porto. É um exemplar da arquitetura colonial. Tem dois pavimentos e 480m² de área construída. O casarão foi tombado em 1980 pelo IPHAEP – Instituto Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba. Atualmente é usado para exposições de arte e encontros culturais.
Praça João Pessoa
Esta praça é também conhecida como Praça dos Três Poderes por abrigar o Palácio do Governo, Assembleia Legislativa e Tribunal de Justiça.

No centro, está o monumento Altar da Praça ao presidente João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, assassinado em Recife em 1930, quando era candidato à vice-presidência na chapa de Getúlio Vargas, sendo esse um dos motivos da Revolução de 1930 e o fim da República Velha.

O monumento, instalado em 1933, é um conjunto formado por cinco esculturas feitas em bronze em torno de uma coluna de granito com altura de dez metros. Em estilo Art Déco, o artista plástico paulista Humberto Cozzo simboliza nesse trabalho a coragem e o civismo.
Palácio da Redenção

Este palácio construído, em 1586, pelos jesuítas, foi convento e residência desses religiosos até 1771, quando passou a ser residência do governo da Paraíba. Originalmente em estilo barroco, o prédio durante as reformas perdeu parte de suas características iniciais.
Faculdade de Direito da UFPB

Ainda na Praça dos Três Poderes está o antigo prédio da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Paraíba que faz parte do conjunto construído pelos padres jesuítas. Funcionavam ali o colégio e o seminário. Com a expulsão dos jesuítas, seus bens passaram para a Coroa Portuguesa em 1773. O prédio chegou a abrigar o Lyceu Paraibano e mais tarde o Tribunal de Justiça. Somente em 1949, quando foi instituída a Universidade Federal, o prédio passou a pertencer a Faculdade de Direito.
Igreja Nossa Senhora do Carmo
Não deixe de conhecer a Igreja Nossa Senhora do Carmo ao lado do Palácio Episcopal na praça Dom Adauto. Os prédios formam o Conjunto Carmelitano. A ordem religiosa dos carmelitas chegou na Paraíba por volta de 1590, quando vieram para o Brasil os jesuítas, os beneditinos e os franciscanos que tinham a missão de catequizar os índios.

Esse Conjunto Carmelitano ficou concluído somente no século XVIII. Os carmelitas são originários do Monte Carmelo na Palestina.

A Igreja Nossa Senhora do Carmo, construída pelos carmelitas no século XVI, foi inaugurada em 1761. Em estilo barroco romano, a igreja tem uma única torre em pedra com características do estilo quinhentista, também conhecido como classicismo português. Em 1998, a igreja foi tombada pelo IPHAEP – Instituto Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba.
Palácio Episcopal

Também chamado de Palácio do Bispo, o Palácio Episcopal construído pela Ordem Terceira do Carmo, faz parte do Conjunto Carmelitano. A edificação original, de 1591, servia de convento aos carmelitas. A reforma deu uma nova cara ao prédio que ganhou elementos do classicismo.

Com uma fachada imponente, o prédio do Palácio Episcopal tem elementos da arquitetura greco-romana como as colunas gregas da Ordem Jônica com espirais no capitel que sustentam o frontão de forma triangular.
Foi tombado em 1980 e hoje é a Arquidiocese da Paraíba.
Pátio de São Pedro
Este é um dos largos da cidade. Vale muito a visita. Aqui está um conjunto arquitetônico, onde se encontra a Igreja de São Frei Pedro Gonçalves e o Hotel Globo - o primeiro construído na Paraíba.

A Igreja de São Frei Pedro Gonçalves foi construída por mão de obra escrava com recursos dos pescadores e dos comerciantes locais em 1843.

A igreja é um prédio de arquitetura eclética com influência neoclássica. Foi tombada em 1998 pelo Instituto Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba – IPHAEP. Restaurada no ano 2000, quando foram encontradas ruínas de uma construção anterior, supostamente uma capela que deu lugar a atual igreja.

A igreja presta homenagem ao padre da Ordem dos Pregadores, também chamados de frades dominicanos. São Frei Pedro foi beatificado em 1241 pelo Papa Inocêncio IV. Ele protege os navegantes e marinheiros.
Hotel Globo

O antigo hotel de luxo é uma joia no Largo de São Frei Pedro Gonçalves no Bairro Varadouro. Foi construído em 1928/29 pelo hoteleiro Henriques Siqueira, chamado de Seu Marinheiro. Em estilo eclético, o Hotel Globo sofreu influência da arquitetura neoclássica, Art Nouveau e Art Déco. O largo é cercado de várias casinhas coloridas em estilo colonial .

O Hotel Globo foi ponto de encontro de personalidades e da alta sociedade. No salão, eram feitos banquetes e bailes. Hospedou políticos influentes e famosos como Bibi e Procópio Ferreira. Mais tarde, durantes as décadas de 1940 e 1950, foi local de boêmios. Era considerado primeiro hotel de luxo pelo fato de possuir telefone e banheiros próximos dos quartos. Tombado em 1978 pelo Estado e em 2009 reconhecido pelo IPHAN com tombamento nacional.

Atualmente o Hotel Globo é galeria de arte e um museu que guarda o mobiliário e peças de louça, utilizadas pelo hóspedes em uma época de esplendor.

O Celeiro é um espaço criativo no Hotel Globo que reúne trabalhos de artesãos e artistas da Paraíba. A produção rendeu a capital João Pessoa, em 2017, o título de Cidade Criativa da Unesco.
Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves
A história da Catedral de João Pessoa teve início quando uma construção simples de taipa foi erguida aos fiéis em 1586.

Mais tarde foi demolida e uma nova igreja surgiu no local no século XVII. Seguiram-se mais duas reconstruções. O projeto da igreja é atribuído a Dom Frei Manoel Delson Pedreira da Cruz, um religioso capuchinho e bispo católico baiano. Outros dados indicam que a construção inicial foi executada pelos primeiros colonizadores da Paraíba.

Em 1881, começou a ser reconstruída para ser a igreja em estilo eclético de hoje com influências do Barroco, Neoclássico e Art Nouveau. É citada também como um exemplo de arquitetura colonial brasileira, construída em pedra e cal, com planta em cruz latina. Em 1894, foi feita a sagração com o título de Catedral. Tombada pelo IPHAEP – Instituto Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba. A Catedral está na Praça Dom Úlrico s/n – centro histórico de João Pessoa.

O interior é imponente, amplo e iluminado. Os arcos laterais dão beleza e guardam as capelas. No altar-mor a imagem de Nossa Senhora das Neves, esculpida em madeira. A santa é padroeira da Paraíba e também de João Pessoa para marcar que a cidade foi fundada no dia 05 de agosto, quando se celebra o dia de Nossa Senhora das Neves.
Casa da Pólvora e dos Armamentos

Este antigo depósito de pólvora é o que restou dos três existentes no período colonial. É considerado um marco histórico. Era garantia de segurança, sendo assim fundamental para a defesa da cidade. Foi também mercado de escravos. Entretanto é um monumento bastante deteriorado, sem os cuidados necessários para que seja testemunho da história e das lutas que promoveram as transformações da capital da Paraíba.

A Casa da Pólvora é uma construção do período colonial, de planta retangular. Foi erguida em alvenaria de pedra calcaria e coberta com telhas de cerâmicas manuais. Tem traços barrocos das construções do século XVII. A porta é encimada por pináculos e o escudo da Coroa. A casa começou a ser erguida em 1704 e concluída seis anos depois. Em 1938 foi tombada Patrimônio Histórico. Fica na Ladeira São Francisco, 152 - centro.
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