Paraíba: o pioneirismo de Campina Grande
- Leci Rech
- 6 de jul.
- 3 min de leitura
Conhecer Campina Grande foi uma grata surpresa. Sempre ouvimos falar da cidade como sendo a mais importante do agreste nordestino, entretanto ver de perto o desenvolvimento é bem diferente. Quando chegamos, já avistamos, de longe, o Museu de Arte Popular da Paraíba.

Às margens do Açude Velho, o MAPP é um dos cartões postais de Campina Grande. É um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, inaugurado em dezembro de 2012 e aberto ao público com exposições dois anos depois.

Também conhecido como o Museu dos Três Pandeiros, o projeto tem três estruturas circulares, inspiradas em pandeiros. Todo de vidro, os prédios têm 126 painéis que chamam atenção dos visitantes, vindos de todas as partes do país.
Farra da Bodega

Próximo do Museu, ainda às margens do Açude Velho, está o monumento que presta homenagem à música típica da região e à cultura nordestina, chamado de Farra da Bodega, inaugurado em 2003.
São duas esculturas em total sincronia. Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga – Rei do Baião – dois expoentes da música nordestina. Os trabalhos em bronze são do artista plástico Joás Pereira dos Passos, campinense, membro da Academia Brasileira de Belas Artes – cadeira 18.
Museu do Algodão

Campina Grande tem muitas histórias, parte delas estão guardadas no Museu do Algodão, na antiga Estação Ferroviária da cidade, onde se pode entender melhor a forte ligação entre eles. Para isso é preciso voltar ao Ciclo do Algodão. Até o início deste século, Campina Grande recebia todo o algodão, produzido na Paraíba. O meio de transporte era o lombo de burros e o trem.

Em 1907, uma linha férrea foi inaugurada em Campina Grande, facilitando o envio do produto até as praças exportadoras. Antes da Segunda Guerra Mundial, o algodão chegou na Inglaterra e Alemanha. Era chamado de Ouro Branco. Os trens seguiam abarrotados de algodão e o município de Campina Grande se tornou o grande entreposto comercial do Nordeste.
Monumento aos Tropeiros
O Memorial dos 150 anos de Campina Grande exibe uma escultura do tropeiro, saindo de uma cápsula com uma tropa de burros.

Junto ao SESI Museu Digital, o monumento presta homenagem aos tropeiros e conta a história da Rainha da Borborema – nome dado a Campina Grande por sua localização geográfica, no Planalto da Borborema.

O monumento conta a saga dos tropeiros, homens de coragem que transportavam algodão em tropas de burros pela Serra da Borborema. Quando chegavam em Campina Grande, se abasteciam no Açude Velho, por isso o monumento foi ali colocado. Ele pesa 80 toneladas em sua estrutura metálica. O projeto é do arquiteto Argemiro Brito Monteiro da Franca.
SANBRA - Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro
O algodoeiro é uma planta que teve origem na Índia. No Brasil, o algodão foi o alicerce do enriquecimento de Campina Grande, cidade também chamada de Coração Tecnológico do Brasil.

O apelido destaca o papel do município como polo de tecnologia e inovação do Nordeste. O antigo parque algodoeiro da SANBRA foi a maior indústria de beneficiamento e derivados do algodão da América Latina entre 1940 e 1970.

Para justificar o título de Centro Tecnológico, Campina Grande está apresentando o algodão colorido ao mercado têxtil, desenvolvido pela Embrapa. A pesquisa começou com a coleta de plantas nativas com fibras coloridas. O melhoramento genético iniciou em 1989 e a primeira variedade foi lançada, em 2000, com a cor marrom claro.
O algodão colorido é um tipo que possui cores na fibra. Já nasce com a cor natural sem necessidade do uso de produtos químicos e tintas para seu tingimento, além de ser produzido sem agrotóxicos.
As pesquisas continuam na busca de outras cores e suas diferentes tonalidades, visando promover oportunidades de mercado ao comércio têxtil. O artesão terá em mãos um produto com valor agregado.
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