Barcelona: Modernismo Catalão nas mãos do mestre - P.II
- Leci Rech
- 11 de ago. de 2024
- 4 min de leitura
Atualizado: 16 de set. de 2024
Park Güell
Vale a pena o passeio no Parque Güell. Você vai encontrar um trabalho primoroso de Antoni Gaudí com projetos, considerados por muitos como extravagantes, mas inigualáveis, únicos e de singular beleza. Poderia ser chamado de uma joia do modernismo catalão.

A entrada principal está na Carrer d’Olot, parte baixa do parque Güell. A primeira zona é a Área Monumental. Aqui estão os pavilhões chamados: The Porter’s Lodge.

O pavilhão, a esquerda, é também chamado de La casa del guardia – quer dizer a casa do guarda - que hoje faz parte do Museu de História de Barcelona. A direita há um espaço usado como sala de visitas. Junto uma colunata de inspiração dórica suporta uma cruz de quatro aspas.

Em frente à Escadaria Monumental está um lagarto em posição de vigia, interpretado como um dragão que representa o fogo e é símbolo de Barcelona. O réptil foi moldado com pedaços de mosaicos irregulares, usando a técnica “trencadis”. Gaudí teve a colaboração do arquiteto e escultor Joseph Maria Jujol. El Drac, como é chamado, é considerado uma obra prima em mosaico. Aqui, o difícil é bater uma foto, tal é a disputa por um click com o lagarto.
Passando o lagarto e seguindo em frente, sobe-se a Escadaria Monumental para chegar ao Salão Hipostilo, onde estão 86 colunas de seis metros, em estilo grego, que sustentam a Praça da Natureza.
Essas colunas canalizam as águas fluviais captadas. O teto do salão é coberto por cacos brancos e a decoração colorida mostra o mosaico do escultor Josep Maria Jujol, colaborador de Gaudí no Parc Güell. Não tivemos sorte, ia ter um show, pouco se viu.

Para construir o parque, Gaudí se inspirou em formas orgânicas, vivas da natureza e ricas em seus contornos irregulares. É uma área de 20 hectares no bairro Gràcia, onde o arquiteto espalhou floreiras, feitas com pedras rústicas e uma grande variedade de plantas. A diversidade da flora chama atenção.

O Park Güell também tem muitos pórticos e viadutos em pedras rústicas que interligam as áreas e estão espalhados entre as trilhas. Essas construções dão um ar de mistério ao local.
Aqui, Gaudí trabalhou com arquitetura orgânica.

A construção do parque durou 14 anos. Gaudí iniciou as obras em 1900 para atender pedido de Eusebi Güell, empresário catalão. O projeto previa um condomínio. Não deu certo e o local foi transformado em parque em 1922. Quatro anos depois foi aberto ao público.
Em 1969, o Park Güell foi nomeado Monumento Histórico e Artístico de Espanha e reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1984.

Na Torre Rosa está a casa onde Gaudí viveu durante 20 anos - de 1906 a 1925. O projeto é de um dos colaboradores de Gaudí, o arquiteto modernista espanhol Francesc Berenguer. Em 1963, a casa foi transformada em museu.

A Casa Museu Gaudí guarda móveis e objetos pessoais do arquiteto, além de 400 fotos e imagens aproximadamente. Não conseguimos entrar, estava em reforma. A Casa Museu reabriu em julho/2024, depois de uma restauração. A reabertura coincidiu com a celebração dos 40 anos da declaração do Park Güell como Patrimônio Mundial pela Unesco. Horário de visita: das 10 às 18 horas. O bilhete não é o mesmo da entrada no parque. Confirmar os novos valores.

O Park Güell é uma atração muito procurada em Barcelona, por isso é preciso comprar o ingresso com antecedência. É com hora marcada. Conseguimos comprar no site oficial. Horário: das 9h30 às 18h. (maio/24). Confirmar o horário de verão. Você pode ir de metrô, ônibus ou táxi. Por ser hora marcada, optamos pelo táxi.
Casa Milà (La Pedrera)

São dunas de areia ou são ondas do mar? Nenhuma das duas. São simplesmente as paredes externas da Casa Milà na Passeig de Gràcia, 92 no bairro Eixample. As duas alternativas propostas não estão distantes de uma resposta, porque Antoni Gaudí tinha a natureza como inspiração para criar seus projetos.

O edifício foi uma encomenda de Pere Milà e Roser Segimon. Eles casaram em 1905 e neste mesmo ano Gaudí iniciaria a construção do prédio que tem 1.323 m² por andar. A Casa Milà ficou também conhecida como La Pedrera. Sua aparência de pedra justificava o apelido.

Foram usados cerca de seis mil blocos de pedra de três tipos vindos de diferentes locais da Espanha. Nas varandas, para as ondulações, Gaudí utilizou o concreto reforçado. A inovação lhe permitiu criar as formas que encontrava na natureza. Para isso ele se baseava em linhas curvas sem o uso de ângulos retos. A fachada foi construída com blocos de pedra calcária, antes cortados para estarem de acordo com as sinuosidades do prédio.

As 32 varandas foram feitas com sucata, a partir de ferro, chapas e correntes. O ferro forjado retorcido permitiu um conjunto de formas irregulares inspiradas em vegetais. Faltou tempo para conhecer a casa por dentro e subir no terraço onde estão as chaminés esculpidas como guerreiros. A visita dura cerca de uma hora e o ingresso é com hora marcada. Mesmo assim, não se duvida que a Casa Milà é uma obra prima do modernismo catalão. É Patrimônio Mundial pela Unesco.
Casa Vicens

A Casa Vicens é única. Diferente das demais e muito colorida. Foi a primeira obra projetada por Gaudí e que o consagrou como arquiteto modernista. Na época Gaudí tinha 30 anos. A casa particular foi uma encomenda de Manuel Vicens i Montaner, industrial do ramo de tijolos e azulejos. A construção iniciou em 1883.

Gaudí usou muitas cores, inspirado nas flores de calêndula. As muitas formas geométricas remetem ao estilo mudéjar com influência muçulmana. Também utilizou azulejos e ferro forjado.

A Casa Vicens é considerada uma obra prima e é Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde 2005.
Para ser aberta ao público, foi inaugurada em 2017. Fica na Carrer de les Carolines 20-26 Bairro Gràcia. Para chegar em metrô, descer na estação Fontana linha verde, L-3.
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