Itália: A Salerno das tantas histórias
- Leci Rech
- 2 de fev.
- 4 min de leitura
Saindo da Costa Amalfitana, este foi um passeio bem diferente. É outro astral e outras descobertas, mas valeu a pena.

Salerno é uma cidade com traços medievais e é caminhando por suas ruas que você vai descobrir os monumentos e conhecer a sua história. Localizada à beira mar, essa comuna italiana, região da Campânia, sempre foi motivo da cobiça de muitos povos.

Saímos de Maiori em ônibus e confesso que passei momentos de pânico. O medo não me abandonou naquela estrada estreita e cheia de curvas, onde não se concebe duas mãos. Quando os ônibus se encontravam era um terror, do tipo, vou morrer aqui. Para compensar, a volta foi de barco com as lindas paisagens da Costa Amalfitana. Quem vem de Nápoles pode chegar à cidade pela autoestrada A3 Napoli-Salerno, ou ainda usar o trem. São 46 km.

A Stazione Salerno atende os trens de alta velocidade, assim como serviços regionais. A construção é de 1866.

A malha ferroviária é muito boa. Salerno conta com trens de alta velocidade. Foi no trem AV da Trenitalia que seguimos para Roma posteriormente. São cerca de 250 km até a Estação Roma Termini e o tempo médio - 2h20min. Compramos os tickets com antecedência na Internet.
Em frente à estação de trens de Salerno, foi erguido um memorial que presta homenagem aos mortos de guerra.

O desembarque de Salerno na Segunda Guerra Mundial foi um dos eventos importantes para a conquista da Itália pelas Forças Aliadas. A Operação Avalanche, de set./1943 foi fundamental e ponto de partida para a conquista de Nápoles e a posterior derrota nazista em solo italiano. A Itália era governada por Benito Mussolini, um ditador fascista. Salerno foi escolhida por suas condições marítimas, baia larga de águas calmas. Batalhas foram travadas com muitas mortes.
Os desembarques na Itália reuniram 189 mil soldados entre americanos e britânicos em 2590 navios. A reviravolta se deu quando Mussolini foi deposto. A Itália rompeu a aliança com a Alemanha e se uniu aos Aliados.
Chiesa del Sacro Cuore di Gesú

A paroquia do Sagrado Coração de Jesus templo católico, está ao lado da estação de trens, na praça Vittorio Veneto. É um edifício em estilo neorromânico tem elementos bizantinos, representados pelo mosaico com a imagem de Cristo com os dizeres: Templo dedicado ao Sagrado Coração de Jesus e nas absides (janelas semicirculares em forma de nichos). Os pilares são do estilo greco-romano com capiteis da ordem coríntia.

A história de Salerno foi marcada por lutas e disputa de poder entre os povos: lombardos, normandos, bizantinos e sarracenos. Salerno já foi até uma monarquia. O Principado foi um Estado lombardo a partir de 857. Perdeu a independência em 1077 com a conquista normanda. E no ano seguinte, os normandos mudaram sua capital para Salerno com o nome de Opulenta Salernum.
A cidade tornou-se um centro de cultura com sua Schola Medica e o mais importante dos territórios normandos, que se estendiam sobre toda a Itália Meridional. A cidade ganhou vida com a construção de palácios e igrejas.

No século XII, um longo declínio se registrou em Salerno, que durou até a chegada de Giuseppe Garibaldi do Brasil, em 1860 e a anexação dessa região da Campania ao Reino da Itália. Giuseppe Garibaldi foi um militar e guerrilheiro italiano. Ele participou do movimento nacionalista Jovem Itália que buscava a unificação de toda a península itálica sob a forma de república.
Como disse no início, é preciso caminhar para conhecer a história e ver as relíquias de Salerno. Na Piazza Sedile di Portanova encontramos uma pequena igreja católica. Estava fechada.
A Chiesa di San Pietro in Vinculis, hoje, é administrada por freiras. Foi sede da Confraria – associação criada para prestar assistência a prisioneiros. O edifício, do século XVI, passou por várias reformas e restaurações a partir de 1700. É famosa por possuir pinturas renascentistas em seu acervo.
Palazzo Pinto
Seguindo a caminhada no centro histórico, o que se vê são ruelas muito estreitas, igrejas e quando menos se espera surgem outros testemunhos da história.
Essa porta, de arquitetura normanda, remonta ao século XI e XII. É a entrada do Palazzo Pinto, onde viveu uma família nobre da Normandia a partir do ano 1200. O Palazzo Pinto, na Via dei Mercanti, é o mais antigo prédio do centro histórico. Atualmente, abriga a Pinacoteca Provinciale com pinturas e esculturas de 1400 a 1900. A entrada é gratuita.
Cattedrale di Salerno

Não conseguimos conhecer a catedral. Fiquem atentos aos horários de funcionamento e as informações sobre ingressos. É um exemplo de arquitetura medieval do século XI. Fundada em 1079 é dedicada a Santa Maria de Angeli, San Matteo e San Gregorio VII. O campanário do século XII, inspirado na arquitetura árabe, tem elementos bizantinos e normandos. A torre do sino é uma das estruturas mais altas da cidade, tem 52 metros de altura.

A construção foi feita sobre as ruínas de uma antiga igreja, sob as ordens do normando Robert Guiscard. A catedral foi consagrada pelo Papa Gregorio VII, recebendo o título de Duomo e oficialmente inaugurada em 1084. O arquiteto Ferdinando Sanfelice fez a remodelação da catedral em 1688. O terremoto de Sannio que atingiu o sul da Itália, causou destruição em Salerno. A catedral teve que ser reconstruída. Nova destruição ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial.

A Catedral de Salerno situada na Piazza Alfano I, tem do lado de fora uma imponente escadaria.

Com uma fachada barroca, o templo católico tem esculturas de dois leões que guardam a porta.
Teatro de Marionetes

Estamos na era da eletrônica, mesmo assim o teatro de marionetes consegue atrair a atenção do público e faz sucesso em Salerno. O teatro de marionetes de Fratelli Ferrajolo é único do seu gênero por aqui. É uma antiga tradição que ultrapassa gerações. Há 60 anos, o teatro internacional de fantoches encanta adultos e crianças. O espetáculo acontece na rua, quando a protagonista Pulcinella mexe com o público que torce por ela.
Chiesa di Sant’ Agostino

Esta pequena igreja em estilo barroco fica na Via Agostino. É de 1931.
A igreja dedicada a Santo Agostinho tem abóbadas (estruturas curvas entre colunas) decoradas com estuque e afrescos. As colunas são greco-romanas da ordem coríntia com seus capiteis elaborados e decorados. No portal, acima, Santo Agostinho está entre anjos.
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Roma: Fontana di Trevi e Pantheon.
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