SC: Laguna guarda relíquias - testemunhas da sua história
- Leci Rech
- 9 de mar.
- 3 min de leitura
No Centro Histórico de Laguna, grande parte do acervo está relacionada com a figura de Anita Garibaldi, heroína que lutou, aqui no Brasil, pela causa da liberdade e na Itália pela reunificação.

O turista que chega na Praça República Juliana já encontra a figura de Anita Garibaldi, uma escultura em bronze, inaugurada em 20 de setembro de 1964, conforme dados do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

A estátua reverencia os atos heroicos, marcados pela bravura de Anita Garibaldi.
Na base do pedestal, uma escultura em relevo mostra a guerreira com uma arma na mão e homens vencidos no chão. O monumento está em frente ao Museu Histórico Anita Garibaldi.
Museu Histórico Anita Garibaldi

Conhecido como Casa de Câmara e Cadeia, o atual museu teve grande importância no passado. Foi aqui na Câmara que se proclamou a República Catharinense Livre e Independente em 1839. Para entender a história voltamos no tempo. Em 1836, surgia o movimento dos farrapos contra a monarquia no Rio Grande do Sul. Com a Proclamação da República Rio Grandense surge a necessidade de um porto marítimo. Os farroupilhas, em 1839, tomaram a Vila de Laguna e com a ajuda de Giuseppe Garibaldi, um militar revolucionário italiano, proclamaram a República Juliana.

O prédio do museu é uma construção de 1735. Seu alicerce e paredes foram erguidas com areia, pedras e cal vindos dos sambaquis (conchas trituradas e misturadas com barro). De acordo com o Portal de Turismo Laguna, a Casa de Câmara passou a ser museu em outubro de 1956.
No alto da escadaria um sino indicava a hora das audiências e do fechamento das casas comerciais. Era hora de se recolher. Hoje, só restam o silêncio e o vazio da sineira. O sino foi furtado em agosto de 2016.
Casa Anita Garibaldi

Nessa casa, Anita vestiu-se para seu primeiro casamento com o sapateiro Manoel Duarte de Aguiar em 1835. A residência da Travessa Luís Neri – sn no centro de Laguna era uma casa onde se confeccionavam vestidos de noiva. A construção, de 1711, é uma casa típica colonial luso brasileira.

As paredes externas são em pedra e argamassa com areia, barro e cal. Já o telhado foi coberto com telha capa canal (telha côncava usada com outra como capa). Possui beiral tipo beira-seveira (peça de madeira que dá acabamento na extremidade e evita entrada de água). Destaque ainda para os peitos de pombo que são telhas recortadas para arrematar os ângulos do telhado.

Hoje, como museu, a Casa de Anita tem um acervo que conta a história, a trajetória da heroína e seu amor por Giuseppe Garibaldi. Entre as peças está o mastro do navio Seival – embarcação usada por Garibaldi para a tomada de Laguna. A casa foi restaurada na década de 1970. Atualmente está fechada para visitação. Quando aberto, o museu tem atendimento de terça a domingo das 9h às 17horas. O museu guarda ainda uma urna com terra da sepultura de Anita que morreu e foi enterrada no cemitério de Ravena/Itália em 1849.
Cine Teatro Mussi
O prédio cor de rosa no Centro Histórico chama atenção de quem visita a cidade. É o Cine Teatro Mussi, inaugurado, em 1950, como cinema com o filme “A Valsa do Imperador” – uma comédia musical dirigida por Billy Wilder.

O filme, de 1948, trata do romance entre um vendedor de gramofones que se enamora de uma condessa da corte austríaca. O romance indesejável entre um plebeu e uma nobre desenvolve a trama. O prédio foi adquirido pelo IPHAN e reconhecido como Patrimônio Histórico e Cultural. Também é usado para o teatro e dança.

O Cine Teatro Mussi é um projeto do arquiteto suíço Wolfgang Ludwig Rau a pedido do antigo proprietário João Mussi. A construção, que iniciou em 1947, ficou em obras durante três anos. O arquiteto buscou inspiração no movimento Art Déco – estilo que se baseia formas geométricas e linhas elegantes. No segundo andar, um pequeno museu conta as histórias do teatro desde 1950. Fica na Avenida Eng. Colombo Machado Salles - sn.

Em frente ao Teatro Mussi, o monumento a Domingos de Brito Peixoto presta uma homenagem ao fundador do município. Em 29 de julho de 1676 foi fundada a Vila Santo Antônio dos Anjos da Laguna. Domingos de Brito foi um bandeirante paulista, nascido na Capitania de São Vicente, baixada santista.
Veja ainda:
Casa da Rua Rincão – onde Anita viveu com os pais.
Próximo Post:
Mercado Público / Casa Pinto D’Ulisséa/ Fonte da Carioca/
Marco de Tordesilhas/ Farol de Santa Marta/ Igreja Matriz
Comentários