SP: joias arquitetônicas no centro contam as histórias da cidade de São Paulo
- Leci Rech
- 13 de jul.
- 3 min de leitura
Atualizado: 2 de ago.
Farol Santander

O Farol Santander – Centro de Cultura, Turismo, Lazer e Gastronomia, é um arranha céu de São Paulo e um dos mais altos do país. Cheio de histórias, o prédio é símbolo de uma época e cartão postal da capital paulista.

O projeto, de 1939, é do arquiteto e engenheiro Plinio Botelho do Amaral. Foi inspirado na arquitetura art déco e no Empire State Building de New York, com linhas retas, geométricas e silhueta vertical. Era o conceito de modernidade na época. A construção levou oito anos e foi inaugurado em junho de 1947.

O edifício, hoje Farol Santander, foi construído para ser a sede do Banco do Estado de São Paulo, originário do Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo, fundado em 1909.
Alguns o chamavam de Banespão. Entretanto, na década de 1960, o edifício recebeu o nome de Altino Arantes em homenagem ao primeiro presidente do Banco.

Os números impressionam: São 35 andares, 161 metros de altura, 1.119 janelas, 14 elevadores e 900 degraus.
Já foi considerada a maior construção de concreto armado do mundo.
Diferente do Empire State que possuía estrutura mista de metal e concreto.
No topo do edifício, está a bandeira do Estado de São Paulo.

Nos anos 2000, com a privatização do Banespa, o grupo espanhol Santander adquiriu o edifício. O Banco do Estado ocupou o prédio até 2001. Foram feitas restauração e revitalização do espaço com a realização de exposições, atividades educativas e de formação artística. Em 2014, o prédio foi tombado pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico.

O Farol Santander teve o cuidado de manter algumas salas intactas, o que nos transmite a sensação de que uma reunião com a alta cúpula da instituição vá começar a qualquer momento. A sala está pronta a espera dos seus integrantes. Aqui os diretores do banco debatiam pautas e decidiam os rumos da empresa. Grande parte das decisões saia desta sala de reuniões.
Nas salas, os móveis e revestimentos de madeira Jacarandá foram produzidos pelo Liceu de Artes e Ofícios. Os móveis remetem ao período colonial.
É possível encontrar registros como a abertura de contas correntes para empresas como aerovias, estradas de ferro, além de informações sobre financiamento agrícola de 1957. O visitante pode até simular um investimento para determinar os juros e o valor final do seu depósito.

Do alto do prédio, no mirante que fica no 26 andar, se tem uma visão panorâmica de 360 graus da cidade. Vale a pena subir.

Disputando os espaços já apertados na capital paulista, o Farol Santander está na Rua João Brícola, 24 – centro histórico da cidade de São Paulo, próximo da estação São Bento do metrô. Para visitar é preciso fazer o agendamento e adquirir o ingresso. Está aberto ao público de 3ª feira a domingo das 9h às 20horas. Filas são inevitáveis.
Basílica Menor da Imaculada Conceição
Não deixe de conhecer a Igreja Santa Ifigênia, como é conhecida, se você passar pelo famoso bairro, muito procurado pela variedade de produtos eletrônicos, computadores e materiais de informática.

É uma das igrejas mais antigas da capital paulista. Por 24 anos foi a catedral provisória de São Paulo, até 1954, quando foi inaugurada a Catedral da Sé.

Em 1720, havia no local uma capela, construída por duas irmandades de escravos alforriados, depois foi erguida uma igreja maior. D. João VI, ainda príncipe regente, criou a Paróquia Nossa Senhora da Conceição. A igreja em estilo colonial foi demolida para a construção da nova matriz. Ela foi inaugurada, inacabada, dois anos antes da sua conclusão em 1912.

A arquitetura da nova igreja é neogótica com influências neorromânicas, uma mistura de dois estilos medievais. A edificação de tijolos, com abundância de arcos sobre portas e janelas, são características do estilo neorromânico. As torres são poligonais: duas pequenas e uma central. O projeto do arquiteto austríaco Johann Lorenz Madein foi inspirado em igrejas do norte da Europa.
O interior do templo católico é rico com pinturas e painéis. O acervo artístico tem obras de artistas renomados como Benedito Calixto.

Conta com dois púlpitos neogóticos, esculpidos em madeira de carvalho, importados da França. Um deles tem um alto relevo, representando São Pedro e no outro púlpito o trabalho esculpido representa São Paulo.

A igreja tem vitrais em estilo gótico, confeccionados em Veneza em 1910. Henri Bernard é autor das rosáceas da nave.

O altar-mor original foi substituído por um órgão alemão que funciona parcialmente. O órgão da Casa Walcker Orgelbau, especializada em órgãos de tubos, foi trazido da Alemanha em 1924 e instalado no lugar do antigo altar. A igreja foi elevada a basílica menor pelo Papa Pio XII em 1958. Foi tombada pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – Conpresp em 1992.
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